13.7.09

sem palavras

"Eu tenho tanto pra te falar, mas com palavras não sei dizer..."
Por enquanto, ainda não tenho palavras para descrever o que senti sendo uma das mais de 65 mil pessoas que estiveram no Maracanã para comemorar os 50 anos de carreira de Roberto Carlos. Eu volto. Assim que eu conseguir elaborar tudo o que aconteceu na noite do sábado 11 de julho de 2009, eu volto...

Alexandre Durão/G1

23.6.09

atchim!

atchim! atchim! atchim! atchim! atchim! atchim!
atchim! atchim! atchim! atchim! atchim! atchim!

Poeira? Quase nada, né? Sim, eu sei: as gavetas estão para lá de abandonadas. Histórias não faltam. O que não colabora é o tempo. Ele só sabe ser curto. E quando não é, a preguiça quer fazer proveito dele. É como se ele parasse para o nada, para as pernas pro ar.

Mas logo o tempo se ajusta ao novo ritmo, e tudo volta a funcionar - até as gavetas serão abertas com mais facilidade. Eu juro. Não, jurar é muito. Eu prometo que vou tentar.

(e eu estou aqui escrevendo para mim mesma como se isso fosse a coisa mais normal do mundo!)

7.5.09

absolvido

Acabei de descobrir no blog da Cristiane Tavares, jornalista da Nova Brasil Fm, uma informação que foi deixada de fora do documentário Simonal - Ninguém Sabe O Duro Que Dei, sobre o quel falei no post abaixo: em 2003, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) absolveu o cantor Wilson Simonal da acusação de delação. Abaixo, reproduzo uma reportagem do Portal Estadão, de 24 de setembro de 2003, sobre a decisão da OAB:

OAB absolve o cantor Wilson Simonal
Comissão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) absolveu o cantor Wilson Simonal, morto em 2000, com a fama de ter delatado colegas ao regime militar


Em julgamento simbólico, os integrantes da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) absolveram o cantor Wilson Simonal, morto em 2000, com a fama de ter delatado colegas ao regime militar. A pedido da família, o grupo da OAB analisou documentos da época e concluiu que o artista não foi dedo-duro.


Para chegar ao veredicto, a comissão manteve contato com pessoas como o comediante Chico Anysio e os cantores Ronnie Von e Jair Rodrigues. "Só podia acusar Wilson Simonal de ter sido delator do SNI (Serviço Nacional de Informações) quem não o conhecia", escreveu Chico Anysio. "Eu até admito que, por absoluta ignorância política, Simonal aceitasse vir a ser o diretor-geral do SNI, mas ser um dedo-duro, quem o conhece sabe que ele jamais aceitaria ser." O comediante afirmou que Simonal "incomodava a uns tantos, que não suportavam ver aquele negro com a fita na cabeça, um suíngue absoluto, um ar de modéstia e ainda cantando olhando nos olhos das moças que brigavam por um lugar nas primeiras filas exatamente para serem olhadas por ele".

Os advogados também analisaram reportagens publicadas nos jornais. Em notícia veiculada em 1992 pelo Jornal da Tarde, por exemplo, o atual ministro da Cultura, Gilberto Gil, e o cantor e compositor Caetano Veloso afirmavam que não tiveram problemas de convivência com Simonal. Em documento assinado em 1999, o então secretário de Direitos Humanos, José Gregori, informou que em uma pesquisa realizada nos arquivos de órgãos federais, como o SNI e o Centro de Inteligência do Exército, não foram encontrados registros de que Simonal teria sido colaborador, servidor ou prestador de serviços.

6.5.09

para aplaudir de pé

"Toda essa introdução acima é para falar do Wilson Simonal. Você sabe quem foi (ou quem é) Wilson Simonal? Um dos mais queridos e requisitados cantores dos anos sessenta. Bonachão, cheio de swing, uma voz afinadíssima, com uma inteligência rápida e rara no programa Essa Noite se Improvisa, brilhava ao lado de Chico, Caetano, Carlos Imperial, Gil, Roberto Carlos, Jair Rodrigues, Ellis. Um dia ele fez o Maracanãzinho cantar com ele, durante mais de meia hora, o Meu Limão, Meu Limoeiro. Quem não se lembra dele cantando Sá Marina? Naquele tempo o Brasil, na voz do Simona era mesmo Um País Tropical."

Esse é um trecho do artigo Esquecemos de Anistiar o Wilson Simonal, escrito por Mário Prata e publicado em 16/01/1995 n'O Estado de S. Paulo. Se você não tem a ideia da importância de Simonal para a música brasileira, terá, a partir do dia 15 de maio, uma excelente chance de ficar diante de um artista que comandou multidões com sua voz e carisma únicos. Ontem à noite aconteceu uma pré-estréia gratuita de "Simonal, Ninguém Sabe O Duro Que Dei" na sessão Folha Documenta, no Cine Bombril. Depois da exibição do documentário, rolou um bate-papo com os diretores Claudio Manoel, Calvito Leal e Micael Langer, e com os filhos de Simonal, Max de Castro e Wilson Simoninha.

A sala, com capacidade de 300 pessoas, estava lotada para aplaudir de pé o filme que traça a trajetória, da ascensão ao ostracismo, de um cantor que virou estrela num Brasil que só consagrava "os brancos de olhos azuis". De fundo, os anos 1960 da ditadura, da repressão, da tortura, do DOPS, da canhota e dos milicas. Os anos 1960 de Roberto Carlos e sua Jovem Guarda, dos festivais da Record, de Elis, Caetano, Chico, Gil.

Sua mãe era empregada doméstica. E ninguém imaginaria que aquele crioulinho um dia dividiria o palco com a cantora Sarah Vaughn, em sua visita ao Brasil; que acompanharia a seleção brasileira ao México na conquista do tricampeonato, em 1970; que faria mais de 300 shows em um único ano; que desfilaria pelas ruas numa Mercedes branca com estofados vermelhos. O crioulinho, que tinha um dos maiores contratos publicitários da época - com a Shell -, fez o Maracanã inteiro, uma multidão de 30 mil pessoas, cantar "Meu Limão, Meu Limoeiro". Inveja não faltou, dizem seus amigos. E talvez por isso, mas não só por isso, a estrela de Simonal parou de brilhar. No auge de sua carreira.

Acusado de ser informante dos militares da ditadura e envolvido numa acusação de sequestro e tortura contra seu contador, Simonal foi jogado às trevas. A crítica, a imprensa e a maioria da classe artística deixaram o cantor da "pilantragem" ao relento. Ele soube, então, o que significava ser negro no Brasil. Nessa época compôs, ao lado de Ronaldo Bôscoli, Tributo a Martin Luther King. "Essa música eu dediquei ao meu filho, esperando que no futuro ele não encontre nunca aqueles problemas que eu encontrei e tenho encontrado, apesar de me chamar Wilson Simonal de Castro".

Simonal morreu em junho de 2000, aos 62 anos, vítima de disfunções hepáticas crônicas. A mágoa, o excesso de bebidas e a vida longe dos palcos mataram seu fígado e tiraram sua vida. Morreu sem receber perdão, e com o desprezo daqueles que por ele foram embalados.